Grupos e Movimentos
 
FCD
 
FRATERNIDADE CRISTÃ DE DOENTES E DEFICIENTES:
COORDENADOR: Estevão
Tudo começou ao pé da cama de Bernardete Buffon, reumática articular aguda, internada num hospital, junto com Margarida e Joanette, três limitadas físicas e que pediram visita do capelão Pe. Henri François.
Mas quem era este visitador? HENRI, LÉON, JOSEPH MARIE François (Este era todo seu nome), nasceu em Ligny- França, em 8 de maio de l897. Respondendo ao apelo vocacional, ingressou no seminário em l916.
Adoecendo gravemente – tuberculose e cardiopatia, doenças sem tratamento na época. Em l921, gravemente doente a direção do Seminário o entregou à família para que o cuidasse. Em 09/06/l922, foi ordenado, em triste estado de saúde e no dizer do Bispo Cinisty : " Vou ordená-lo para que possa celebrar umas missas antes de morrer." Não lhe deu nenhum destino. "Volte para sua família e cuide-se".
Recuperando um pouco a saúde junto à família, apresentou-se ao Vigário e colocou-se a serviço, e o Vigário perguntou: "O que poderá fazer? - Vá visitar Doentes". Tal foi o início do caminho da Providência! Era-lhe reservada uma grande Missão. Foi se recuperando e como capelão de um Hospital Psiquiátrico, comentou: "Esses contatos com os doentes mentais, foram para mim uma experiência extraordinária constatando a fragilidade do mecanismo psíquico e suas repercussões na pessoa”.
Mas foi em 1937, então na cidade de Verdum, palco da segunda guerra mundial, em meio a mutilados, onde começou a fazer visitas domiciliares a doentes crônicos e deficientes, reduto da guerra. Nesta cidade de operários, descobriu não apenas o mundo dos doentes, mas também o mundo dos pobres. Era o começo onde se forjaria o FUNDADOR da FCD. Disse ele: ”Sou da opinião de que esta experiência me preparava para a FRATERNIDADE”. Filho de uma família burguesa, doze irmãos, dos quais, só cinco sobreviveram, nunca tinha visto, tão de perto, o mundo da pobreza e mesmo da miséria, pois, nessa época, sem Seguridade Social, o operário era colocado na condição de mendigo. Isto foi definindo sua vocação.
Em recuperação, assumiu a capelania de um hospital e impossibilitado de continuar as visitas, solicitou às três: " Bernardete, Margarida e Joanette, que o substituíssem nesta tarefa.
Em 6 de julho de l942, fez a primeira reunião. Pe. François tratou da missão a qual as três visitadas estavam se incumbindo e insistiu não fossem surdas à graça e aprendessem a se amar, se unir e cultivar a amizade e se ocupar dos outros doentes e deficientes. Fez-lhes perceber a responsabilidade que tinham em função dos que ainda esperam por alguém.
A expansão se deu rapidamente em toda cidade de Verdum e mesmo na França. O número de visitados ia aumentando. Para incentivar e motivar o grupo, o Fundador fazia reuniões seguidamente.
Por sugestão de Pe. Altamayer, também doente e que veio logo a falecer, e com o apoio de François, o grupo de deficientes solicitou ao Bispo um retiro espiritual, considerado na época, uma loucura, mas que se realizou de 13 a 17 de junho de 1945. Inicialmente eram 45 pessoas e no final do encontro, mais de 100: muitos de cadeira, outros de muletas, grande número nas macas. Foi um transbordamento de alegria e a grande descoberta feita era o da alegria por se sentirem valorizados, estabelecer laços fraternos e sair do isolamento. De assistidos passaram a assumir responsabilidades. Pelo que de fantástico, em termos de VIDA, lá aconteceu, por unanimidade decidiram se encontrar novamente, e estava FUNDADA A FRATERNIDADE, movimento de evangelização de "leigo para leigo". François passou a dedicar a vida, com extraordinária bondade e disponibilidade à FCD seus prediletos, junto com os pobres.
A Fraternidade vai a todos e tem como proposta a promoção integral do doente e deficiente. Devolver-lhe, não só a possibilidade de viver, mas ainda, o gosto e alegria pela VIDA... Descoberta de valores, potencialidades, integração familiar, comunitária e social, não se sentindo assistidos, mas responsáveis pela construção de sua própria história.
Fraternidade tem característica própria. Não é uma associação, nem uma obra social. Mas um MOVIMENTO... Nele sempre há lugar, e o essencial é atingir a todos os doentes e deficientes, independente de cor, raça, religião ou nacionalidade. Nele se cultiva o espírito cristão, acessível a qualquer pessoa, sem distinção.
Chegou ao Brasil em 1972, através do seminarista Vicente Masip, jesuíta, iniciando um primeiro núcleo em São Leopoldo - RS, espalhando-se rapidamente por outras regiões do Estado e por outros Estados da Federação, contando na atualidade com, aproximadamente, 250 núcleos em atividades e 20 em formação.
Envolve em sua atividade evangelizadoras cerca de 25.000 pessoas, doentes e deficientes, colaboradores, membros de congregações religiosas, clero diocesano, pastores de igrejas, irmãs e agentes pastorais.
Plenamente consciente da marginalização dos doentes e deficientes, dentro de uma sociedade com acentuadas injustiças e discriminações, afirma seu espírito de serviço juntamente com este grupo de pessoas, fundamentando seu trabalho na Fraternidade Evangélica, dirigindo-se a todos indistintamente.
 
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