Liturgias
 
O ADVENTO
 
As verdadeiras origens do Advento são incertas e as notícias que nos chegaram são escassas de clareza e informação. Sabemos que o tempo do Advento é um tempo de preparação para o Natal, típico do ocidente, já que no oriente tem somente uma breve preparação de poucos dias para o natal.
Sobre o significado originário do advento, muito se tem discutido, preferindo alguns optar pela tese do Advento natalício, outros pela tese do Advento escatológico (segunda vinda de Cristo e às suas conseqüências – juízo, instauração do Reino, etc). A prática do Advento pelas primeiras comunidades tinha esse caráter de espera, escuta, prontidão para o grande dia da vinda do Nosso Senhor Jesus Cristo (não se sabe se era uma preparação ascética de caráter propriamente litúrgico ou de um Advento que celebra a segunda vinda gloriosa de Cristo).
O ciclo natalício nasceu no século IV, com a necessidade de afastar os fiéis das celebrações pagãs e idolátricas do “Sol invicto” que ocorriam no Solstício de Inverno (época em que o sol passa pela sua maior declinação boreal ou austral. Os solstícios situam-se, respectivamente, nos dias 22 ou 23 de junho e nos dias 22 ou 23 de Dezembro).
Em fins do Século IV, para criar certo paralelismo com o ciclo pascal, começou-se a fazer preceder as festividades natalícias de um período de preparação, composto de quatro (4) ou seis (6) semanas, chamado Advento.
O Advento possui um conteúdo muito rico; ele considera todo o Mistério da vinda do Senhor na história até sua conclusão. O Deus do Advento é o Deus da história, o Deus que veio plenamente para o Salvação do homem em Jesus de Nazaré, em que se revela a face do Pai (cf. Jo14,9). A dimensão histórica da revelação recorda a Salvação plena do homem, de todo homem; portanto, o nexo intrínseco do Advento é a evangelização e a promoção humana.
O Advento é o tempo litúrgico que se evidencia fortemente a dimensão escatológica do Mistério cristão. Deus nos reservou para a Salvação (cf. 1Ts 5,9), mas trata-se de uma herança que se revelará apenas no fim dos tempos (escatologia)(cf. 1Pd 1,5). A história é o lugar eminente para a realização das promessas de Deus e está voltada para o ‘Dia do Senhor' (cf. 1Cor1,8;5,5).Cristo veio na nossa carne, manifestou-se e revelou-se como ressuscitado, depois da morte, aos Apóstolos e às testemunhas previamente escolhidas por Deus (cf. At10,40-42), e aparecerá gloriosamente no fim dosa tempos (At1,11). A Igreja, na sua peregrinação terrena, vive continuamente a tensão do JÁ da Salvação toda realizada em Cristo e o AINDA NÃO da sua realização em nós e da sua plena manifestação na volta gloriosa do Senhor Juiz e Salvador.
O Advento, enfim, ao mesmo tempo em que nos revela as verdadeiras, profundas e misteriosas dimensões da vinda de Deus, enviado pelo Pai, sobre a vinda do Espírito Santo, mandado pelo Pai e pelo (ou para o) Filho, recorda-nos, também, o compromisso missionário da Igreja e de todo cristão.
 
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