PALAVRA SEMANAL 1
 
INTRODUÇÃO
“Pela Revelação divina quis Deus manifestar-se e comunicar-se a si mesmo e os decretos eternos da sua vontade a respeito da salvação dos homens, ‘para fazer participar dos bens divinos, que superam absolutamente a capacidade humana’” (DV-Dei Verbum 6).
Em todas as obras de Deus a Palavra se manifesta, mas é diante da fragilidade humana que ela assume um caráter particular: é o amor que se inclina ao único ser querido por si mesmo, para criá-lo, mantê-lo e redimi-lo. É pois, esta verdade subjacente a todo o plano salvífico de Deus que quer ser proclamada a todos os homens, para que estes possam alcançar a plena realização de seu ser.
Neste sentido, percorrendo diversos tratados teológicos, buscaremos evidenciar a ação da Palavra de Deus na perspectiva da criação, o pecado antítese da Palavra e a reconciliação após a queda. Em seguida veremos a plena manifestação da Palavra: Jesus Cristo, protagonista da nova e eterna aliança. E por fim, as considerações a respeito da ação de Deus nos últimos tempos, até a consumação do plano salvífico.
I - A PALAVRA DO PAI
“No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.” (Jo 1, 1)
Segundo o prólogo de João, a Palavra é insinuada como uma outra pessoa distinta em Deus; vive junto de Deus, Deus a ama; Ela está iniciada na ciência de Deus e decide sobre a criação, por Ele todas as coisas foram feitas (Dz-Dezinger 54).
Em Deus há um conhecer intelectivo e um puro amor. Não dependendo de criatura alguma para conhecer e amar, então, Ele se conhece e projeta uma imagem de si sem divisão, gerando um segundo “Eu”, uma segunda pessoa em Deus, a quem a Sagrada Escritura dá o nome de Filho (Mc 1,11), Imagem (Cl 1,15). Este conhecimento que Deus tem de si, suscita o amor a esse bem, que é Ele mesmo. Não sendo o amor um ato parcelado em Deus, esse amor que o Pai tem pelo Filho e o amor que o Filho tem pelo Pai, origina um terceiro “Eu” ou uma terceira pessoa em Deus, que é o Espírito Santo, o qual procede do Pai e do Filho.
Nestas processões não há nem hierarquia, nem dependência; uma vez que no único e permanente instante da eternidade, Deus se conhece gerando o seu Filho consubstancial ao Pai, e se ama espirando o Espírito Santo.
Há, portanto em Deus, uma só natureza, a divina; duas processões e três pessoas. O Pai não tem origem (Dz 13; 19; 39; 27), o Filho foi gerado da substância do Pai e unicamente por Ele (Dz 20; 40; 276; 703). O Espírito não é gerado, mas procede do Pai e do Filho ( Filióque). “O concílio de Florença em 1438, explicita: ‘O Espírito Santo tem sua essência e seu ser subsistente, ao mesmo tempo do Pai e do Filho e procede eternamente de ambos, como de um só princípio e por uma única expiração’” (CIC-Catecismo da Igreja Católica 246).
Leia e reflita. Na próxima semana continuaremos.
 
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