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PALAVRA SEMANAL 2 |
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II - A PALAVRA CRIADORA |
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“No princípio era o Verbo...Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi
feito (Jo 1,1-3). O Novo Testamento revela que Deus criou tudo através do Verbo Eterno, seu Filho bem-amado. Foi nele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra...tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele é antes de tudo e tudo nele subsiste (Cl 1,16-17).A fé da Igreja afirma a ação criadora do Espírito Santo: doador de vida, o Espírito Criador (Veni, Creator Spiritus), a Fonte do Bem” (CCE 291) . |
A criação é portanto, um ato livre de Deus, e deve ser concebida como
uma atividade intra-divina (da processão das pessoas divinas), e não como aperfeiçoamento ou complemento de Deus, que vive sua própria existência no intercâmbio amoroso de vida trinitária. Deus não precisa de nada preexistente, nem de nenhuma ajuda para criar. |
Assim, na revelação do Antigo Testamento a criação do universo e do
homem, é tida como um ato da onipotência divina, do amor divino, pois Deus cria livremente do nada; e por mais justificado que seja colocar as afirmações sobre Deus como criador, no princípio da consideração do “opera Dei ad extra”, deve-se, contudo, ponderar que a noção teológica plena da criação, só é alcançada quando se compreende a história da salvação como seu pressuposto necessário, pois Israel levou algum tempo para estabelecer a relação teológica entre fé na criação e a tradição da obra benéfica de Javé, que é por excelência a sua ação na história. Israel só descobriu tal relação, quando aprendeu a intercalar a criação no conjunto teológico da história da salvação. A maneira como Israel associou esta crença na sua fé na salvação, se verifica no segundo Isaías, onde vemos a alusão a Javé Criador, como um reforço na confiança, no poder e na vontade protetora de Javé (cf. Is 42,5 - Javé que criou os céus - Is 43,1- que te criou e te modelou e ainda neste mesmo versículo, vemos um cunho soteriológico - não temas, porque eu te resgatei ). |
A criação do mundo e a libertação de Israel quase coincidem em Isaías
59,9s. O profeta interpela o mundo criado, e fala ao mesmo tempo de Israel salvo do Egito. Assim, a criação e salvação (libertação), são considerados como um único ato dramático da obra benéfica de Deus, expresso pela imagem do combate contra o dragão do caos. |
Esta apreensão soteriológica da criação, porém, não, a encontramos
somente no segundo Isaías. A intenção do Sl 89 por exemplo, é cantar “a sabedoria de Javé na criação”; a referência é feita primeiramente à “aliança” com Davi, mas um intermédio que não se pode desprezar, fala das obras particulares da criação, claramente contadas entre as obras benéficas de Javé evocadas. O Sl 74 é ainda mais claro, contém um intermédio que começa por uma invocação a Javé “que opera feitos salvadores”, e cita-lhes as obras criadas. |
Desta forma, podemos dizer que a fé na criação, parte da experiência da libertação do Egito. Na libertação o homem deixa a escravidão do Egito, a qual, na criação se equipara ao nada que a precede. Além disso, a criação é ainda um ato salvífico, porque Deus no ato de criar, não dá simplesmente coisas ao homem contigente e frágil, mas doa-se a si mesmo, e doa-se porque nos ama, pois faz com que o criado se volte para ele e entre em comunhão com ele, que não é a causa primeira de cada ser extra-divino, mas também fim último de cada criatura possível e real; com efeito, o fim das mesmas é a participação no seu soberano amor, isto é, a glorificação de Deus, que coincide com a auto-realização da criatura. |
Cremos que Deus criou o mundo segundo a sua sabedoria (palavra). O mundo não é produto de uma necessidade qualquer, de um destino cego ou do acaso. Cremos que o mundo procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participarem do seu ser, da sua sabedoria e da sua bondade: Pois tu criaste todas as coisas; por tua vontade elas não existiam e foram criadas (CCE 295). |
São Boaventura nos diz: Non propter gloriam augendam, sed propter gloriam manifestandam et propter gloriam suam comunicandam- não para aumentar a sua glória, mas para manifestar a glória e para comunicar a sua glória. Pois Deus não tem outra razão para criar, a não ser o seu amor e a sua bondade: Aperta manu clave amoris creaturae prodierunt- Aberta a mão pela chave do amor, as criaturas (CCE 293). |
A Glória de Deus está exatamente nesta manifestação e comunicação da sua bondade, em vista das quais tudo foi criado e nos faz filhos adotivos por meio de sua Palavra Encarnada, pois a glória de Deus é o homem vivo. |
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Na próxima semana abordaremos outro assunto. |
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