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PALAVRA SEMANAL 3 |
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III - O PECADO, ANTÍTESE DA PALAVRA |
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Em Gn 1,26 encontramos o centro da antropologia vetero-testamentária.
Segundo o texto, Deus cria o homem de maneira solene quando diz: “façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança... à imagem de Deus ele os criou, homem e mulher ele os criou”; istinguiu, assim, homem de toda a criação e colocou-o em estreita relação consigo, sendo o único, entre as criaturas, capaz de estabelecer uma relação direta e pessoal com o Criador. Como decorrência do seu ser, imagem e semelhança de Deus, o homem é o representante e principal colaborador do mesmo na terra, posto como sinal da soberania divina no mundo; é o que se pode ver no versículo seguinte(Gn 1,28), no qual se encontram a ordem da procriação e o encargo de dominar sobre todo o criado. |
Mediante imagens, Gn 2 fornece os seguintes dados: o homem foi criado por Deus numa atitude de maestria, sabedoria e carinho, pois assim como o oleiro está para o barro , está Deus para o homem (Gn 2, 7). O homem distingue-se essencialmente de todos os animais, e impondo-lhes os nomes, é apresentado como senhor dos mesmos (Gn 2, 19). A diversificação e união dos sexos procede de ato criador de Deus, possuindo homem e mulher a mesma origem e natureza (Gn 2, 21-24). “ O homem e a mulher são criados, isto é , são queridos por Deus: por um lado, em uma perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, e por outro, no ser respectivo de homem e de mulher. Ser homem, ser mulher é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher, têm uma dignidade que lhes vem diretamente de Deus , seu Criador. O homem e a mulher são criados em idêntica grande dignidade, à imagem de Deus. No ser - homem e no ser - mulher, refletem a sabedoria ( palavra) e bondade de Deus” (CCE 369). |
Lendo-se atentamente Gn 2-3, verifica-se que os primeiros homens, gozavam de dons especiais constitutivos do seu estado de justiça original; esta compreendia: |
- A GRAÇA SANTIFICANTE, mediante a qual o homem era chamado a participar da vidae da felicidade do próprio Deus; |
- OS DONS PRETERNATURAIS, que ampliavam as perfeições da natureza humana. Tais eram: |
a) a imortalidade - significava que o homem não morreria dolorosa e
violentamente como hoje; (Gn 2, 17; 3,3s.19); |
b)a impassibilidade - ausência de sofrimento; (Gn 3,16);
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c) a integridade - os instintos e afetos estavam em consonância com a razão e a fé;( Gn 2, 25; 3, 7-11), e |
d) a ciência moral infusa - os primeiros homens estavam aptos a assumir suas responsabilidades diante de Deus. (Gn 2,17). |
O homem é necessariamente livre e na sua resposta ao chamado de Deus, se encontra o caminho da sua plena realização e do mundo. Na sua liberdade porém, pode recusar tal chamado e destruir a ordem sagrada da criação, pervertendo a realização correta de sua natureza.
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Em Gn 3, logo no início, entra em cena o princípio demoníaco (a serpente), o qual segundo o magistério da Igreja, seria um ser espiritual, criado bom por Deus, mas se tornou mau e instigou o homem a pecar, como testemunha o concílio de Latrão IV (1215): “Deus ... por sua onipotência no início do tempo criou igualmente do nada as criaturas espirituais e as corporais, isto é, o mundo dos anjos e o mundo terrestre; em seguida criou o homem, que de certo modo compreende umas e outras, pois consta de espírito e corpo. O diabo e os outros demônios foram por Deus criados bons, mas por livre iniciativa tornaram-se maus. O homem pecou por sugestão do diabo”(Dz 428). Mas o homem continua sendo figura central do relato; a serpente, portadora do mal, como princípio dissolvente, interessa ao autor apenas por aquilo que ela faz. Em Gn 3,5 ela dá ao homem esperança de alcançar a ciência divina, suscitando no mesmo a ânsia do incompreensível e ilimitado, de ser capaz de definir o que é bem e o que é mal, sem ter que pedir normas ao Senhor. |
O homem cede a tentação, e sua soberba se exterioriza numa total desobediência ( cf. Gn 2,17; 3,11). Em conseqüência surge desilusão e a degradação. Os primeiros pais se ocultam aos olhos de Deus; escondem-se um aos olhos do outro e, por fim, um joga a culpa sobre o outro.
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“A harmonia na qual estavam, estabelecida graças à justiça original, está destruída; o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo é rompido; a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões; suas relações serão marcadas pela cupidez e pela dominação. A harmonia com a criação está rompida: a criação visível tornou-se para o homem estranha e hostil. Por causa do homem, a criação está submetida ‘à servidão da corrupção’(Rm 8,20). Finalmente, vai realizar-se a conseqüência explicitamente anunciada para o caso de
desobediência: o homem ‘voltará ao pó do qual é formado’(Gn 3,19). A morte entra na história da humanidade” (CCE 400). |
São amaldiçoados a serpente e solo. A mulher é atingida na essência da
sua maternidade, permanecendo intacto. Ao homem toca como castigo, o trabalho penoso; a terra não produz de bom grado os frutos que dali em diante são necessário à conservação da vida. No fim da fadiga espera-o o espectro da morte. “Eis porque como por meio de um só homem, entrou no mundo o pecado e pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram...”( Rm 5,12 ) |
Por fim, Javé expulsa homem e mulher do paraíso, o que significa a perda da amizade originária com Deus e os efeitos dela decorrentes. Donde a teologia Católica afirma, que o pecado originante acarretou a perda dos dons da justiça original, ou seja, do dom sobrenatural e dos dons preternaturais. E isto tem repercussão nos descendentes dos primeiros pais, pois é com a carência destes dons que todo homem vem ao mundo, recebendo tal carência o nome de pecado original originado. |
Conforme o catecismo, “depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus. Ao contrário, Deus o chama e lhe anuncia de modo misterioso a vitória sobre o mal e o soerguimento da queda. Esta passagem do Gênesis foi chamada de ‘Proto- evangelho’, por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, a do combate entre a serpente e a Mulher, e a vitória final de um descendente desta última” (CCE 410). Em Gn 3,15 Deus propõe a esperança da reconciliação. Além disso, vê-se também no v. 21, que Deus se interessa pelo homem caído e continua ser ainda o conservador da vida humana. Com isso, estabelece-se a base sobre a qual o homem, deverá depois da queda, pautar a sua vida, à qual não faltam a solicitude divina e a promessa misericordiosa do triunfo contra satanás. |
O texto sagrado nos capítulos seguintes, continua narrando o rápido
alastrar-se do pecado. A queda; Caim ( Gn 4,8); o canto de Lamec (Gn 11,1-9); a perversão de toda a carne (Gn 6,12); a torre de Babel (Gn 11,1-19), são etapas que constituem marcos do crescimento do pecado no mundo. Deus por sua vez, condenou as erupções do pecado com juízos cada vez mais severos. Ao mesmo tempo, coincidindo misteriosamente com os castigos, manifesta-se a ação divina, salvando, sustentando e acompanhado os homens. Caim foi expulso do solo fértil, mas permaneceu mesmo amaldiçoado, sob uma proteção paradoxal (cf. Gn 4, 11-15). O juízo universal do dilúvio, é sucedido por um novo começo em que Deus instala o homem num mundo em que continua garantida a permanência da natureza. (Cf. Gn 8,21s) Em cada juízo revela-se a vontade benéfica de Deus. Todavia, a história da construção da torre de Babel encerra-se sem intervenção da graça. Isto porque encontrará seu complemento na vocação de Abraão e no plano histórico de Javé, mediante o qual “todas as nações da terra” serão abençoadas em Abraão. (Gn 12,1-3)
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Assim , em Gn 12 não há mais referência à realidade universal, à
humanidade, ao sofrimento dos povos, mas o autor faz gravitar o seu interesse em torno de um só homem e de sua família, dos quais provirá um povo começando novo caminho de salvação, que tornará realidade perfeita na plenitude e consumação dos tempos. |
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Medites sobre esta palavra e até a próxima semana. |
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